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sexta-feira, 24 de junho de 2011

5 dicas em experiências de física

Cientista louco


É muito fácil as coisas saírem fora do controle em experiências de física, e aí é como prevê a Lei de Murphy: se algo tiver como dar errado, então de fato dará, no pior momento possível e da pior maneira possível. Não podemos nos prevenir do poder imprevisível e opressor exercido pelo acaso, mas convenhamos que um pouco de cautela poderia evitar muitas dores de cabeça, certo?

Entre os principais motivos que resultam ao fracasso, total ou parcial, de um projeto estão condições não favoráveis, falta de material, falhas de planejamento e perfeccionismo em excesso. Veremos como contornar, e se possível extinguir, esses e outros problemas.


1 - Não construa um acelerador de partículas


Muita gente fica preocupada em escolher o projeto mais elaborado possível para surpreender os colegas e todos ao redor, o que não é necessariamente ruim; pelo contrário, pois vai te motivar a fazer algo bem feito. Os dois problemas principais são o perfeccionismo que pode chegar à obsessão e o desvio de foco.

O cidadão fica tão obcecado por causar uma grande impressão que não percebe quando as coisas saem de controle e se recusa a acreditar que talvez, apenas talvez, seja inviável construir um acelerador de partículas em suas condições. E não cogita se não seria melhor fazer uma experiência como um motor eletrostático de garrafas para demonstrar algum conceito de eletricidade.

Enfim, seja realista. Isso não quer dizer que você precise "se contentar" com algo menos grandioso — grande engano! Já comentei por aqui que a física não é feita de coisas misteriosas, e é completamente possível dar aulas completas sobre vários assuntos usando uma vassoura. Além disso, muito melhor do que se perder na complexidade de algo já feito por outras pessoas é dar sua cara ao projeto como achar melhor a partir de uma base simples.

Mas para isso é preciso que você...

2 - Libere o crítico de meia-idade rabugento do seu interior


Você pode — e deveria — incrementar a experiência com um aprofundamento maior no assunto ou explorando outros tópicos. Por exemplo, na primeira experiência mostrada neste post, por que não discutir o motivo para a bexiga estourar? No que o aumento ou diminuição de pressão influencia? Existe alguma ligação entre isso e o fato de ser mais fácil estourar balões/bexigas com objetos pontiagudos?

Também é interessante propor experiências mentais a partir das conclusões feitas, como uma cama de faquir. Enfim, não restrinja sua criatividade, mas é bom tomar um certo cuidado, pois...

3 - Se os fatos não se encaixam na teoria... bem, a culpa deve ser sua


Toda experiência apoia-se em 2 eixos: a prática científica e a teoria científica. Não adianta muita coisa realizar os mesmos procedimentos milhares de vezes se você não conseguir elaborar um modelo teórico útil a partir deles, tampouco ficar sentando em uma cadeira imaginando porcos voando. Entendo que possa ficar entretido com o funcionamento da experiência ou elaborando novos procedimentos e explicações, mas saiba equilibrar teoria e prática.

Sabe o perigo de escolher um projeto muito complexo, às vezes até inviável de ser montado? Pois bem, o risco permanece se você optar por algo mais simples e quiser "viajar" demais. O ideal é testar constantemente a cada alteração para verificar se a prática condiz com a teoria, por que não, se for o caso, e se vale a pena incluir um ou outro procedimento.

Tome cuidado também na adoção de "conveniências" como o arredondamento de constantes a um valor usual (por exemplo, supor que a aceleração da gravidade vale 10 m/s²) e desprezar fatores como a resistência do ar e atrito, o que pode gerar discrepâncias. Também não basta simplesmente mostrar o fenômeno e dar uma explicação insatisfatória, pouco abrangente e/ou que ignora certos detalhes muitas vezes críticos.

Mas como saber se estamos no caminho certo?

4 - Se conselho fosse bom ninguém dava de graça, mas já que é de graça mesmo...


Não basta ter uma visão crítica somente na escolha da base para o projeto; da mesma forma, é útil assumir que sempre tem alguma coisa errada. Todos esperam que você erre de qualquer forma, então parece mais proveitoso ir em frente e requisitar uma rápida averiguada na experiência por algum colega ou professor. Todos saem felizes.

OK, não precisa desenvolver um complexo de inferioridade, mas é verdade que não temos tanta facilidade em perceber nossos próprios erros. E você pode receber conselhos que contribuam para fazer seu projeto ainda melhor ou sabotá-lo. Também há outro motivo importante para consultar o professor de antemão...

5 - Teste, teste e teste, até a física curvar-se diante de sua grandeza


Outro risco a ser considerado é o de perder o controle da situação por não estar habituado ao equipamento necessário e/ou as condições do ambiente. O equipamento é decente? Sabe usá-lo? O ambiente é úmido, seco? E quanto à temperatura? Tem ar condicionado? Verifique com antecedência os aspectos relevantes ao sucesso da experiência e tenha certeza de promover um ambiente propício.

Repita os procedimentos, se possível sob várias circunstâncias diferentes, até ter certeza de saber o que está fazendo para não precisar apelar ao improviso na hora. Quando a experiência necessitar de materiais encontrados apenas no laboratório, faça pelo menos um teste. Já deve ser o suficiente para apontar alguma falha, se houver.



Quer botar os ensinamentos na prática? Confira este motor eletrostático de garrafas, 3 experiências simples e/ou mais 3 experiências de hidrostática.

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